O tripé Ensino, Pesquisa e Extensão representa um dos pilares da Universidade, que busca valorizar os saberes locais e o desenvolvimento da região amazônica. É por meio dessas bases, que os pesquisadores da nossa instituição elaboram projetos que fomentam a inclusão, a diversidade e o desenvolvimento sustentável.
Nesta edição do “Pesquisa & Inovação”, apresentamos a celebração da formatura da primeira turma da Pós-graduação Lato sensu em Educação do Campo, o reconhecimento nacional de um dos Coletivos da UFRR por ações de preservação das línguas e culturas indígenas e uma nova parceria para a formação de jovens comunicadores Yanomami e Ye’kwana, reforçando o diálogo entre saberes acadêmicos e territoriais.
Formação pioneira fortalece o ensino de Ciências e Matemática no campo

Consolidando o ensino de ciências e matemática na educação do campo, a UFRR celebrou a conclusão da primeira turma de Pós-graduação Lato sensu em Educação do Campo: Metodologias para o ensino da natureza e matemática na modalidade a Distância (EaD).
Ao todo, 38 estudantes concluíram o curso, que é pioneiro em sua temática e completamente focado nas especificidades do contexto rural. O objetivo central é capacitar professores e profissionais da educação para a aplicação de metodologias ativas e contextualizadas dentro da área.
Durante o período da especialização, os acadêmicos publicaram artigos em revistas indexadas com Qualis, resultado direto das pesquisas desenvolvidas ao longo do curso. Dentre os artigos, estão os estudos: “Percepção Social e química de um estudo da educação do campo sobre a qualidade da água em comunidades amazônicas: O caso da Vila de Entre-Rios, Caroebe-RR” e o “Impacto das plataformas digitais no ensino de Química”.
Conforme a professora da UFRR e coordenadora da especialização, Melanie Truquete, a conclusão dessa primeira turma é um compromisso da UFRR com a inclusão e a excelência. “Entregamos 38 profissionais que não apenas possuem o conhecimento técnico, mas também a sensibilidade para transformar o ensino, promovendo a cidadania e o desenvolvimento sustentável em suas comunidades,” afirmou a professora.
Projeto da UFRR recebe reconhecimento nacional do Iphan
O projeto intitulado “Preservação e Promoção de Línguas, Culturas, Literaturas e Territorialidades Indígenas em Roraima” conquistou reconhecimento pelas suas atividades no 38º Prêmio Rodrigo Melo Franco Andrade, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A ação é fruto do coletivo composto por professoras e estudantes da UFRR.

Com o tema “Patrimônio Cultural, Territórios e Sustentabilidade”, a premiação nacional divulgou ações (realizadas entre os anos de 2022 e 2024) que buscam a valorização do patrimônio cultural e a promoção da sustentabilidade social, ambiental e econômica brasileira. Ao todo, 18 projetos foram vencedores em uma edição que teve recorde de inscrição com 876 projetos. O concurso é promovido pelo Iphan desde 1987.
O coletivo é composto pela professora da UFRR, Ananda Machado, a professora Rosilda da Silva e Silva Macuxi (mestranda no PPGL), Joice Wapichana (mestranda do Profhistória), Diene Taurepang (egressa do curso de gestão territorial indígena) e outros componentes.
O objetivo das atividades promovidas pelo coletivo é a promoção e mobilização das línguas, culturas, literaturas e territorialidades indígenas. Atuando na UFRR e em comunidades de nove municípios do estado, o coletivo tem atividades como o ensino de línguas Macuxi, Wapichana, Ingaricó e Patamona, criação de espaços de usos dessas línguas, promoção de literatura indígena e formação de professores. “Conseguimos promover o plurilinguismo na UFRR, onde criamos espaços de uso dessas línguas, cantando as músicas, dançando e produzindo arte, contribuindo assim para que muitos aprendessem a falar e escrever nessas línguas. As literaturas de autoria indígena também vêm sendo divulgadas e trabalhadas na UFRR, escolas indígenas e comunidade. Muitos dos que participaram de nossas ações vieram de municípios, como Normandia, Pacaraima, Amajari, Alto Alegre, entre outros”, explica a professora Ananda.

O coletivo também tem buscado ativamente contribuir para promoção das questões indígenas por meio da implementação de leis e participação em diversos festivais culturais nas comunidades. Algumas delas são a implementação da Lei 1.1645/2008, que prevê o ensino da História e de questões indígenas nas escolas não indígenas; a Lei 211/2014, que cooficializou as línguas Macuxi e Wapichana em Bonfim e da Lei 281/201, que cooficializou as línguas Macuxi e Wapichana no município de Cantá, entre outras.
“Por mais que nossas ações formem apenas pela extensão, muitos professores que já atuam nas escolas, estudam conosco. E nossa certificação vem garantindo que os professores de língua indígena consigam vaga nos processos seletivos, vestibulares e concursos”, destaca ainda a professora.
Parceria buscará formar comunicadores Yanomami e Ye’kwana
O curso de Jornalismo, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Hutukara Associação Yanomami firmaram uma parceria para a execução do programa de extensão “A palavra que nasce da floresta – Formação das comunicadoras e comunicadores Yanomami e Ye’kwana”.

O projeto será voltado à qualificação de jovens lideranças indígenas para atuarem como comunicadores em seus territórios. O foco é fortalecer a autonomia comunicacional indígena, respeitando o modo de vida desses povos e promovendo o diálogo entre o conhecimento acadêmico e o indígena produzido nos territórios Yanomami e Ye’kwana.
O programa de extensão terá duração de três anos (2026 e 2028), sendo realizado com dois módulos por ano. “A proposta respeita o que chamamos de tempo da floresta e tempo da comunidade. Por isso, o projeto é direcionado a um grupo pequeno e coeso de jovens comunicadores Yanomami e Ye’kwana, considerando também as barreiras linguísticas e culturais”, destaca o coordenador do curso de Jornalismo da UFRR, Felipe Collar.
A primeira turma deverá contar com sete estudantes indígenas e terá apoio financeiro da organização internacional Nia Tero. O primeiro módulo está previsto para iniciar em abril de 2026 com conteúdos como técnicas de produção audiovisual, edição de imagem e som, entre outros.
Para o coordenador, a união dos saberes acadêmicos e indígenas é uma força motriz para o desenvolvimento regional. “A sabedoria que vem do território Yanomami e Ye’kwana, em diálogo com o saber acadêmico da comunicação, amplia nossa forma de enxergar o mundo e de pensar no jornalismo”, relata Felipe.