Os estudos dos pesquisadores da Universidade Federal de Roraima geram avanços em diversas áreas e obtém reconhecimento pelo Brasil por causa dos seus resultados. Nesta edição, o “Pesquisa e Inovação” destaca os trabalhos sobre a diversidade e a taxonomia do inseto aquático, chamado de Ephemeroptera, a participação de dois pesquisadores da UFRR em projeto multi-institucional aprovado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e as pesquisas interdisciplinares voltadas ao combate à desinformação climática e à integridade das informações sobre mudanças do clima.
O combate a desinformação climática e a integridade

O pesquisador e professor do curso de Jornalismo da UFRR Simão Farias tem realizado uma série de estudos interdisciplinares sobre desinformação climática e também a integridade dessa informação.
A desinformação climática destaca o compartilhamento de informações falsas e a omissão de dados, sendo apontada como um dos fenômenos mais preocupantes da atual crise ambiental. Em suas pesquisas, o docente conta que realizou consulta em mais de 100 fontes bibliográficas, conseguindo apontar os chamados desvios comunicacionais. “Eu fiz o pós-doutorado sobre negacionismo climático e a partir dessa consulta eu consegui apontar os três desvios informacionais principais que são a desinformação, fake e negacionismo, além de apontar as características desses desvios. Esse ano, eu ampliei esse escopo de pesquisa sobre a integridade da informação e cheguei a alguns paradigmas comunicacionais como a verdade, a factualidade, o testemunho, o perspectivismo de fontes”, explica.
A integridade da informação climática visa perceber a garantia de que os dados, notícias, debates sobre o clima são precisos, confiáveis e, sobretudo, baseados em pesquisas científicas sérias. “Essa é uma preocupação geral também. Esses estudos foram convergindo com uma publicação científica se somando a outra, seja e-book, artigo científico. Eu posso falar em uma integridade da informação climática cujos os paradigmas vem desde a passagem do século XX para o XXI quando os cientistas ainda buscavam evidências e consenso, passando pela interpretação simples e complexa das mudanças climáticas, o combate a desinformação climática e seus correlatos até chegando a essas proposições sobre a integridade da informação climática”, observa Simão.
Para o professor, as redes sociais ajudaram a sistematizar as estratégias dos desinformantes a respeito de várias questões e ampliaram a disseminação de informações falsas. “É papel de uma série de atores sociais como as instituições jurídicas, os cientistas, as universidades, o jornalismo de também criar estratégias de combate aos desvios informacionais. Eu cheguei a mais de 50 formas de desinformação climática e isso ocorre justamente nas redes sociais favorecido pelos algoritmos. É preciso que a opinião pública, o Jornalismo, a Comunicação e outros atores se sirvam de estratégias de combate para garantir a integridade da informação e a partir dela nos defendermos e garantirmos a regularidade do funcionamento das democracias ocidentais e a sobrevivência socioeconômica e socioambiental dos sujeitos mais vulneráveis”, afirma.
Os estudos do professor Simão levaram a uma vasta produção de livros, e-books, artigos científicos e também participação em eventos. Os estudos se destacam por esforços que envolvem pesquisas interdisciplinares em temáticas como Cinema, Jornalismo, Comunicação e Literatura. “Minha orientadora do doutorado estava envolvida com pesquisas ambientais e isso despertou em mim a urgência de questões ambientais na minha pesquisa. Eu também criei um grupo de pesquisa engajado em produções de educação midiática socioambiental, produção científica socioambiental e tenho o prazer de participar de iniciativas com outros grupos de pesquisa e organizações sociais com o propósito de combater a desinformação, a fake e o negacionismo climático”, conta Simão.
Com base nesses trabalhos, o professor será o coordenador de um grupo de trabalho no VI Simpósio Interdisciplinar de Ciência Ambiental (SICAM), que será realizado no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) entre os dias 04 e 06 de novembro. O tema central desta edição será: “A Integridade da Informação e a Ciência Ambiental” e o professor junto com a coordenadora Karina Yamamoto (IEA/USP) integrará o GT4: Integridade da informação sobre mudanças o clima. “Foi uma alegria receber esse convite levando o nome da UFRR para ter essa visibilidade nacional e internacional. Já fomos selecionados pela presidência da COP30 em uma ação envolvendo a integridade da informação climática para somar e contribuir com todo esse repertório global de estratégias de combate aos desvios informacionais”, afirma o professor.
O SICAM é um evento organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) do Instituto de Energia e Ambiente da USP e possui o objetivo de promover a integração das diversas frentes que regem a Ciência Ambiental e também dos diversos profissionais que atuam nesta área do conhecimento.
O evento é gratuito e com uma programação que contará com mesas-redondas, palestras e apresentação de trabalhos. Os estudos do professor Simão Farias também podem ser encontrados no seu blog pessoal.
Inscrições abertas para submissão de trabalhos e participação no SICAM
As inscrições para submissão de trabalhos na sexta edição do SICAM estão abertas até o dia 23 de setembro. O simpósio receberá trabalhos científicos inéditos ou em desenvolvimento que dialoguem com a temática do evento e com os respectivos Grupos Temáticos (GTs).
Para inscrever o artigo científico ou para participação como ouvinte, os interessados devem entrar na plataforma do evento. A inscrição para participar como ouvinte segue até o dia 28 de outubro
Conforme a organização, os trabalhos serão submetidos na forma de resumo expandido e poderão abordar diferentes dimensões da Ciência Ambiental como aspectos sociais, econômicos, políticos, tecnológicos, entre outros.
Os trabalhos devem apresentar caráter interdisciplinar e serão apresentados no evento na forma de apresentação oral e posteriormente publicados nos Anais do 6º SICAM.
Pesquisa com participação de pesquisador da UFRR produz um panorama sobre inseto aquático na fauna brasileira

Um artigo que aborda um inseto aquático da Ordem Ephemeroptera foi publicado pelo pesquisador e professor do curso de Ciências Biológicas, Rafael Boldrini. Intitulado “From a short flight to eternity: Ephemeroptera (insecta) in the Taxonomic Catolog of the Brazilian Fauna – na overview”, a publicação realiza um estudo sobre o inseto, incluindo espécie, famílias, gêneros e análises históricas utilizando dados do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), complementados pelo site ephembrazil.
O artigo é uma colaboração com os professores Frederico Falcão Salles, Rodrigo Braga Gastaldo e Juliana Alvim da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Lucas Ramos Costa Lima da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e Rodolfo Mariano da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).
O professor explica um pouco mais sobre o inseto e como surgiu a ideia do artigo. “A Ephemeroptera é uma espécie aquática e parte do ciclo de vida na água é na forma de ninfa e logo depois passam a ser os adultos. Eu me especializei na taxonomia deste grupo de inseto e o artigo foi parte de uma estratégia maior em que o Brasil está tentando fazer artigos específicos sobre cada grupo de animais”, explica Rafael.
A pesquisa destaca que atualmente estão registrados 472 nomes de espécies válidas, distribuídas em 10 famílias e 81 gêneros, registrados para o País. Ainda conforme o artigo, os padrões espaciais revelam um forte viés geográfico, com a Amazônia e a Mata Atlântica apresentando as maiores riquezas, com 224 e 245 espécies, respectivamente.
Outro ponto observado é sobre como se encontra o cenário do estudo sobre as Ephemeropteras dentro da pesquisa brasileira. De acordo com o artigo, o panorama atual é dominado por pesquisadores brasileiros, com crescente integração em parcerias internacionais, mas apesar dos avanços ainda existem importantes lacunas no conhecimento sobre as efêmeras brasileiras. “Buscamos todos os dados possíveis para mostrar esse panorama. Quais foram os anos em que mais foram achadas espécies novas, se os autores eram brasileiros ou estrangeiros, onde tinham mais espécies descritas e os estados como mais espécimes conhecidos”, revela o professor.
Os interessados em buscar mais dados sobre as Ephemeropteras e outras espécies da fauna brasileira, podem acessar o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil, que foi idealizado por zoólogos e possui o apoio institucional do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Governo Federal.

O professor Rafael Boldrini, que também é coordenador do grupo sobre as Ephemeropteras dentro do catálogo, observa o papel fundamental de ampliar e fortalecer o papel dos estudos sobre a espécie. O pesquisador destaca que elas são bioindicadores importantes na conservação e no monitoramento de ambientes de água doce em todo o Brasil. “Esse inseto é a base da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos. Em Roraima, a população se alimenta de peixes. E a gente só vai encontrar os peixes se eles tiverem fonte de alimento e as Ephemerotperas são os organismos mais abundantes sendo alimentos desses peixes. Buscamos ter um perfil da diversidade de cada região desse inseto para fazermos uma fotografia atual e daqui vários anos podermos fazer novas avaliações e ver como isso pode refletir alterações ambientais”, revela.
O artigo do professor Rafael Boldrini pode ser encontrado online na página da Scientific Electronic Library Online (Scielo Brasil).
UFRR integra projeto multi-institucional aprovado pelo CNPEM para pesquisa de novos fármacos contra a malária

Dois pesquisadores do departamento de Física da Universidade Federal de Roraima integrarão um projeto multi-institucional aprovado em chamada do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Os representantes da UFRR são o professor Gabriel Zazeri e a professora Denise Andrade do Nascimento, que participam da proposta selecionada na Chamada Multi-Institucional CNPEM Norte-Nordeste 2026.
Conforme informações do CNPEM, a iniciativa é voltada ao fortalecimento da pesquisa científica tecnológica e da cooperação entre instituições das regiões Norte e Nordeste do Brasil. O resultado saiu em julho com seis projetos selecionados, sendo que a chamada recebeu 56 propostas apresentadas por redes de pesquisadores das duas regiões.
A proposta aprovada é na área de Bioeconomia e Biotecnologia Regional, coordenada pelo professor Fernando Berton Zanchi, que conta também com a participação da embaixadora do CNPEM pelo Amazonas, a professora Isabelle Bezerra Cordeiro. O projeto reúne também pesquisadores da Fiocruz Rondônia, Embrapa Rondônia, Fiocruz Amazônia e Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
O objetivo do estudo é descobrir e caracterizar compostos bioativos com potencial para o desenvolvimento de novos fármacos antimaláricos. Desta forma, será adotada uma abordagem multidisciplinar integrada, combinando ferramentas in silico e ensaios experimentais. “Buscamos identificar compostos de origem amazônica com potencial para o desenvolvimento desses novos fármacos contra a malária. A pesquisa parte de moléculas presentes na castanheira (Bertholletia excelsa), uma espécie presente na região Amazônica, buscando aquelas capazes de atuar sobre proteínas importantes do parasita”, explica o professor Gabriel Zazeri.
O trabalho realizado por cinco instituições será feito também em parceria com o CNPEM utilizando a infraestrutura do Sirius, o acelerador de partículas brasileiro. “Inicialmente, fazemos uma triagem computacional para selecionar as moléculas mais promissoras. Depois, esses compostos são obtidos e testados experimentalmente para verificar sua capacidade de inibir proteínas do Plasmodium. Os compostos mais promissores são então estudados em detalhes com técnicas como difração de raios X e radiação sincrotron. Queremos dar os primeiros passos na descoberta desses novos candidatos a fármacos e assim valorizar a biodiversidade amazônica e fortalecer a capacidade científica e tecnológica da própria região”, explica o professor.
Para Denise, a aprovação significa uma conquista importante para o desenvolvimento científico da região. “Recebi com muita alegria a aprovação do projeto. Participar dessa iniciativa vinculada ao CNPEM, que é um dos mais importantes centros de pesquisa científica e tecnológica do Brasil, é uma oportunidade significativa. Acredito que este seja mais um importante passo para fortalecer a pesquisa, a formação de novos pesquisadores e o desenvolvimento científico e tecnológico roraimense”, observa a professora.
Zazeri, que também é um dos embaixadores do CNPEM/SIRIUS para Roraima, destaca o significado simbólico e estratégico da iniciativa para a região. “É muito importante que iniciativas dessa dimensão sejam construídas também a partir da realidade e das necessidades científicas da Amazônia. A aprovação da proposta, com a participação da UFRR, demonstra a capacidade dos nossos grupos de pesquisa de atuar em redes nacionais e contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico da região”, afirma o docente.
Textos: Marcos Martins – Bolsista de Pesquisa em Comunicação – PRPPG/TV Universitária/Coordcom
Montagem e revisão: Raphaela Queiroz – Servidora da Coordcom/UFRR