Ao avançar em diferentes ações de pesquisa, prevenção e promoção de direitos, a Universidade Federal de Roraima tem produzido novos materiais acadêmicos e educativos que abordam temas essenciais para a comunidade universitária e geral.
Desta vez, as iniciativas envolvem diferentes setores e grupos de pesquisa da instituição e abordam assuntos variados como pesquisa em educação, registros sobre a diversidade e o acolhimento da sexualidade nas religiões de matriz africana, saúde mental no ambiente acadêmico e combate às violências.
Cartilhas abordam temas sobre saúde mental e combate às violências
Com o objetivo de compartilhar informações sobre saúde mental e cuidados psicossociais, a Divisão de Acompanhamento Social e Psicopedagógico (DASP) lançou a Cartilha DaspEduca “Saúde Mental na Universidade”.
O objetivo é promover o bem-estar e prevenir adoecimentos entre todos que participam do espaço acadêmico. O material informativo está vinculado a uma ação de extensão que visa produzir e disseminar cartilhas digitais educativas para a comunidade acadêmica e público em geral, abordando temas como saúde mental, rotina universitária e cuidados psicossociais.

Com uma ideia iniciada durante a pandemia de Covid-19, a cartilha retornou como um projeto de extensão produzido pelas psicólogas do Serviço de Psicologia da DASP, formado por Ana Lídia Mathias, Arieche Silva Lima e Renata Hirano.
Segundo a psicóloga da UFRR, Ana Lídia Mathias, a cartilha funciona como uma ferramenta de prevenção e promoção da saúde. “Neste projeto pretendemos lançar outros temas sobre questões sociais. Temos que perceber o quanto a saúde mental pode afetar outras áreas das nossas vidas: nossos relacionamentos pessoais, vínculos familiares, carreira e interações no ambiente em que vivemos. E, como a vida acadêmica é desafiadora e estar na universidade exige muito, nós lançamos essa cartilha justamente para apresentar algumas estratégias que podem ajudar a enfrentar esses desafios. Por isso, apresentamos tudo de forma didática com links para vídeos que podem ser assistidos, sugestões de leitura e informações práticas sobre onde buscar ajuda, horários, formas de atendimento, e assim por diante. Procuramos reunir orientações claras para toda a comunidade”, afirma a psicóloga.
O material pode ser encontrado no site institucional da PRAE/UFRR.

Já a Comissão Permanente de Acolhimento, Prevenção e Enfrentamento às Violências (CPAPEV) divulgou a cartilha “Conheça seus direitos: Guia de Combate e Prevenção às Violências”
O material foi elaborado para orientar a comunidade acadêmica de forma clara e acessível sobre como reconhecer situações de violência e assédio, compreender seus direitos e acessar com segurança os procedimentos de denúncia dentro da UFRR.
Segundo a CPAPEV, a cartilha apresenta conceitos essenciais, exemplos práticos, orientações e um passo a passo completo para formalização das denúncias, contribuindo para o fortalecimento da rede de acolhimento institucional.
A professora e idealizadora da cartilha, Luziene Parnaíba, explica que a ideia surgiu em 2024, após a implementação da CPAPEV e a busca para divulgar a Resolução 091/2023 CUNI/UFRR. O intuito é tornar mais acessível o conteúdo da resolução e o desenvolvimento de políticas e procedimentos de acolhimento, prevenção e enfrentamento a ocorrências de assédio moral e sexual, violências de gênero, sexualidade e étnico-raciais e outras formas de discriminação e preconceito, como parte das atribuições da CPAPEV.
“Nesse sentido, é importante fazer cumprir o Artigo 16 da Resolução 091/2013 CUNI/UFRR, o qual estabelece que parte das atribuições da CPAPEV consiste em elaborar e distribuir material informativo sobre as diversas formas de violência e discriminação de gênero, sexualidade, étnico-raciais e outras, bem como sobre as medidas, procedimentos e providências que devem ser adotados nos casos de sua ocorrência e os serviços de atendimento especializado disponíveis para a comunidade universitária”, explica Luziene.
A iniciativa tem o apoio do Observatório da Violência Contra as Mulheres em Roraima, Observatório de Direitos Humanos e da disciplina de Extensão em Instituições, Organizações e Projetos, do Curso de Ciências Sociais.
Para acompanhar o trabalho da CPAPEV, basta acessar a cartilha por meio da página institucional da CPAPEV.
Registro sobre religião e sexualidade em Roraima
Intitulado “Religião e Sexualidade no Extremo Norte do Brasil: registros de resistência e identidade em um terreiro”, o material publicado pelo Programa de Pós-graduação em Sociedade e Fronteiras (PPGSOF) é parte do trabalho elaborado pelas mestrandas Carla Renata Milhomem de Oliveira e Eduarda Rabelo de Almeida sob orientação dos professores Amarildo Ferreira Júnior, Mariana Cunha Pereira e Verônica Teodora Pimenta.

O material apresenta um panorama inicial de uma pesquisa que está sendo desenvolvida e analisa as vivências da sexualidade em terreiros de religiões de matriz africana em Roraima, destacando o acolhimento, a resistência e a diversidade nesses espaços.
Ao todo, a pesquisa realizou um questionário que envolveu 21 perguntas e gerou 39 respostas de frequentadores de terreiros no estado de Roraima. Para o coordenador do PPGSOF, professor Max André de Araújo Ferreira, o estudo da temática envolvendo raça e religiosidade é fundamental. “Trata-se de uma oportunidade de quebrar estigmas históricos e combater o racismo estrutural que ainda marginaliza essas expressões culturais e espirituais. Essas religiões foram historicamente silenciadas e criminalizadas, sendo constantemente associadas a estereótipos negativos. Além disso, alinhar essa pesquisa ao contexto da região Norte e, mais especificamente, a Roraima torna o estudo ainda mais relevante. A região amazônica possui dinâmicas culturais únicas, com uma forte presença de povos indígenas, populações negras, comunidades ribeirinhas e imigrantes, o que configura um mosaico identitário complexo”, destaca o professor.
Parte de uma etapa inicial de pesquisa mais ampla sobre fé, corpo e identidade no contexto amazônico, a pesquisadora Carla Renata Milhomem de Oliveira explica que o material busca dar visibilidade às vivências ligadas à sexualidade nas religiões de matriz africana contribuindo com o debate dessas dinâmicas no contexto amazônico. “O tema surge mais de uma convergência mesmo entre os meus interesses e o da outra pesquisadora. No meu caso, eu desenvolvo uma dissertação de mestrado em investigação sobre as formas de resistência ao racismo religioso nos terreiros aqui de Roraima. Já a Eduarda, estuda as pessoas LGBT em situação de cárcere. Percebemos que ambos os grupos enfrentam o processo de marginalização, de violência simbólica e institucional e havia um ponto de convergência importante entre essas agendas”, afirma Carla.
Sobre os resultados da pesquisa divulgados no material, a pesquisadora observa alguns pontos importantes. “Encontramos, pelo menos nas análises marginais, foi que essa percepção de gênero, de homossexualidade, tanto a orientação sexual como a identidade de gênero, elas não parecem como fatores de exclusão ou de controle da mesma forma que aparecem em tradições religiosas conservadoras. Apesar de alguns cultos específicos possuírem esses papéis ritualísticos específicos para homens e para as mulheres, na prática, o que a gente percebeu foi um ambiente onde as pessoas se sentem mais livres para existir mesmo. Muitas dessas pessoas estão saindo de um espaço religioso para outro, encontrando nesses terreiros lugares de mais acolhimento, pertencimento e expressão da própria identidade”, explica ainda Carla.
O material completo com os dados e informações da pesquisa podem ser encontrados na página do PPGSOF.
Publicação reforça temática da pesquisa em educação

Lançado neste mês de dezembro, o livro “Pesquisa em Educação: desafios teórico-metodológicos à construção do conhecimento” é organizado pela técnica administrativa em educação da UFRR, Edna Paula Magalhães e a professora aposentada, Maria Edith Romano Siems.
O livro oferece um conjunto de artigos que abordam sobre as abordagens teórico-metodológicas adotadas em pesquisas em educação, com ênfase em estudos em Educação, Educação Especial e estudos históricos em Educação Especial.
Conforme explica Edna Magalhães, o livro surgiu da necessidade de apoio a estudantes e pesquisadores. “Percebemos a dificuldade recorrente de estudantes e também pesquisadores em identificar no momento da escrita de artigos e da própria dissertação ou tese o melhor caminho teórico-metodológico para organizar suas investigações”, explica a técnica administrativa.
Ainda segundo Edna, o livro é fruto do trabalho realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFRR). “As duas servidoras são egressas do referido Programa. Sobre o livro, os capítulos foram escritos por alguns nomes importantes nacionalmente e diversos pesquisadores. Além disso, um de seus capítulos é de autoria de outra servidora da UFRR, a técnica em assuntos educacionais, Paola Frota Almeida”, destaca ainda.
Formado por dois blocos e contendo 13 artigos, o livro completo pode ser conferido no site do Researchgate.