Nesta edição do Pesquisa & Inovação, apresentamos a pesquisa que analisa práticas escolares na fronteira Roraima–Venezuela e a nova cartilha da Dasp que orienta para o uso consciente das mídias digitais
A produção científica e as ações extensionistas da Universidade Federal de Roraima têm ganhado cada vez mais destaque e também projeção internacional. Dessa vez, a reflexão produzida dentro do Programa Pós-Graduação em Geografia (PPG-GEO) sobre os desafios educacionais em territórios de fronteira foi publicada em revista internacional. Enquanto isso, a instituição reforça seu compromisso social com o lançamento de uma cartilha sobre educação midiática, voltada à promoção do uso crítico e responsável das tecnologias digitais.
Pesquisa na área de Geografia fica em evidência com visibilidade internacional

Intitulado “Quando a escola habita a Fronteira”, o material é resultado direto da dissertação de Mestrado produzida por Bruno Sobral Barrozo (defendida no biênio 2022-2024) com a orientação dos professores da UFRR, Artur Rosa Filho e David Luiz Rodrigues de Almeida.
Conforme os pesquisadores, a investigação busca problematizar o papel da escola em contextos de fronteira imediata, como a que ocorre na de Roraima com a Venezuela. O estudo articula que as práticas educativas nessas regiões não podem ser meras extensões de políticas nacionais, pois são espacialidades que possuem características únicas.
“A iminência da fronteira me trouxe muitas inquietações já adulto ao fazer pesquisa na Geografia. Eu não entendia a dimensão política e espacial da fronteira e retornar a Pacaraima já com uma concepção provisória de posição de sujeito pesquisador, me deparo com uma multiplicidade territorial, cultural e identitária que me inquietava saber como era expressa nos currículos prescritivos, como na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Documento Curricular de Roraima para o Ensino Médio (DCRR)”, afirma Bruno Sobral.

Durante o estudo no caso da fronteira Roraima/Venezuela uma das características particulares encontradas são as chamadas “brechas geográficas” (as trochas). “São caminhos que compõem a paisagem da fronteira entre Brasil e Venezuela e que são possíveis de visualizar em ferramentas de localização como Google Earth. Essa composição da paisagem é problematizada na dissertação e no artigo, uma vez que esses caminhos muitas vezes tiveram que ser negociados pelos sujeitos escolares fronteiriços para acessar bens como saúde e educação. Ignorar essa realidade seria invisibilizar a vivência concreta de alunos e professores que produzem novos significados sobre o que é ensinar e aprender Geografia na fronteira. A trocha é, portanto, trazida aqui não como objeto central de estudo, mas como cenário inevitável onde a vida escolar se desenrola entre o Brasil e a Venezuela”, destaca Bruno.
De natureza qualitativa, exploratória e descritiva, o estudo foi realizado no Colégio Estadual Militarizado Cícero Vieira Neto, em Pacaraima (Roraima/Brasil). Bruno observa também a boa vivência com os professores orientadores como importante para que a dissertação e depois o artigo pudessem ser desenvolvidos. “Foi através dessa vivência cultivada com o professor Artur, meu professor de Geografia Urbana, e com o professor David que vi então uma oportunidade de desenvolver essa pesquisa sobre as práticas curriculares dos professores de Geografia do Ensino Médio em Pacaraima. Essa pesquisa foi a primeira desenvolvida e defendida sobre ensino de Geografia do Programa de Pós-graduação em Geografia”, revela.
Atualmente, a pesquisa ganha novos desdobramentos com o próprio Bruno Barrozo no doutorado em Geografia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). A pesquisa tem o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) com a orientação do professor Rafael Straforini (UNICAMP) e da professora Porfiria del Rosario Bustamante de la Cruz (UABC) da Universidade Autônoma da Baja California, México.
Para o professor da UFRR e orientador da pesquisa, Artur Rosa Filho, a publicação em um periódico de alto impacto acadêmico demonstra a capacidade e a qualidade dos estudos produzidos em Roraima. “A revista é uma das melhores nessa linha de pesquisa e eu como orientador fico muito contente, pois o Bruno está levando esse estudo para além do estado de Roraima. Ele é um aluno aplicado e agora dando continuidade no doutorado mostra também que Roraima produz bons artigos e estudos de impacto”, comentou.
Cartilha produzida pela UFRR tem foco na Educação Midiática
A Divisão de Acompanhamento Social e Psicopedagógico (Dasp) lançou mais uma edição da cartilha Daspeduca. Desta vez, a publicação é chamada de “Entre posts e algoritmos: Educação midiática no dia a dia”.
A publicação está vinculada a uma ação de Extensão que visa produzir e disseminar cartilhas digitais educativas para a comunidade acadêmica e público em geral. As responsáveis pela elaboração da cartilha são as psicólogas do Serviço de Psicologia do Dasp: Arieche Kitiane Silva Lima, Ana Lidia da Silva e Renata Hirano Junes.

Segundo as responsáveis, o objetivo da cartilha é apresentar conceitos fundamentais sobre Educação Midiática, além de abordar temas importantes como: algoritmos, saúde mental, discurso de ódio, cyberbullying, comunidades misóginas e violências digitais nos relacionamentos.
“As ferramentas digitais têm feito cada vez mais parte do nosso dia a dia facilitando a comunicação e a conexão com outras pessoas. O nosso intuito é provocar reflexões e incentivar o uso da internet de forma cada vez mais consciente e responsável. Estar conectado envolve escolhas desafiadoras que também exigem atenção e cuidado”, avaliam as elaboradoras.
Os interessados em ler as informações da cartilha e encontrar as outras publicações dessa ação de Extensão podem acessar a página da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis e Extensão da UFRR.