A Universidade Federal de Roraima segue reforçando o seu papel como instituição de excelência acadêmica, científica e social na Amazônia. Por meio de seus pesquisadores e inventores, as conquistas vão da inovação tecnológica ao fortalecimento de políticas sociais e educacionais amazônicas e brasileiras.
E desta vez entre os feitos, estão o registro no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) do programa de computador PROGTRIX, a participação inédita na Assembleia Geral Yanomami, com o projeto pioneiro de proteção social indígena e a indicação de dois professores para a Comissão Assessora de Avaliação da Formação Docente do INEP, que define diretrizes para cursos de licenciaturas em todo o país.
Patente do PROGTRIX – programa que transforma “problemas complexos em soluções elegantes”

Um programa de computador feito por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Roraima conseguiu registro de patente por meio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O documento foi expedido no dia 22 de julho.
Chamado de PROGTRIX, o programa de computador é de autoria dos professores da UFRR, Francisco Diego Martins Nobre, Lindeval Fernandes de Lima, José Alailson Sousa Pinho (DTI/UFRR), Edney Veras dos Santos (DTI/UFRR), Rodrigo Otávio da Silva Reis (DTI/UFRR), além dos professores Maurício Weber Benjó da Silva da Universidade Federal Fluminense (UFF), Silvio Domingos Silva Santos da UNICAMP e José Heriberto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Segundo o professor Francisco Nobre, o PROGTRIX é um programa de computador desenvolvido em Python que tem a missão de “tornar o impossível calculável”.
O professor explica que a ideia do programa surgiu no meio de sua pesquisa de doutorado, em que buscava resolver problemas em áreas como eletromagnetismo, análise de dispositivos de alta frequência e o cálculo de matrizes de espalhamento de grandes dimensões. “Essas matrizes, fundamentais para entender como sinais se propagam, refletem ou absorvem em sistemas como antenas, guias de onda, sensores e dispositivos baseados em grafeno, cresciam exponencialmente em complexidade à medida em que os dispositivos se sofisticavam. Computadores lentos, algoritmos ineficientes, simulações que duravam horas e até mesmo dias, eram um terreno árido onde a ciência pedia soluções e a engenharia exigia elegância”, explica o professor.

A partir da união de conhecimentos em engenharia, ciência da computação, matemática aplicada e tecnologia da informação, nasceu o PROGTRIX. Utilizando ferramentas como a Teoria dos Grupos, da álgebra abstrata, e os cálculos matemáticos desenvolvidos pelo professor Lindeval Fernandes de Lima, o programa consegue reduzir drasticamente o custo computacional na análise de dispositivos em micro-ondas, THz, circuitos avançados e sistemas de telecomunicações. “Em vez de lidar com uma selva de dados, o PROGTRIX transforma o problema em simetria, ordem e elegância”, afirma Fernando.
Para o professor da UFRR, Fernando Nobre, o apoio do NIT/UFRR foi importante para o programa conquistar oficialmente o registro. “Pronto para ganhar o mundo. Mais do que um código-fonte, ele carrega em sua estrutura a semente de uma visão: a de que o pensamento abstrato, quando bem guiado, tem o poder de mudar a prática da engenharia e gerar soluções elegantes para os maiores desafios tecnológicos. O PROGTRIX não é apenas um programa, é um legado, uma ponte entre o rigor da álgebra e a urgência da indústria, uma história que começou com um incômodo e se tornou um instrumento de resolver diversos problemas na área de engenharia e materiais”, destaca ainda.
Com o PROGTRIX, a UFRR continua uma busca por conquistar mais registros de propriedade intelectual no INPI. Segundo informações do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT/UFRR), em resumo são dois registros de patentes concedidos com cotitularidade e um pedido em andamento com cotitularidade, além de cinco registros de programa de computador.
Participação em assembleia Yanomami e projeto de proteção social para comunidade indígena

A UFRR participou entre os dias 25 e 28 de julho da Assembleia Geral da Associação Yanomami do rio Cauaburis e afluentes. Na ocasião participaram a Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), Instituto Socioambiental (ISA), DSEI-YY, Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira e o Comando do 5° Pelotão do Exército.
Os representantes da UFRR foram os professores Pablo Albernaz, do Instituto de Antropologia, e Jefferson Fernandes, que também é coordenador-Geral de Etnodesenvolvimento, e representante da Presidente da FUNAI, Joênia Wapichana.
A assembleia tocou em diversos assuntos como: Saúde Indígena, Proteção Social Yanomami/Ye’kwana e pontuou algumas reivindicações como a situação da educação nas comunidades. Na ocasião os representantes da UFRR, apresentaram o projeto de proteção Social Yanomami/Ye’kwana realizado pela universidade em parceria com a Funai, Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), além de estados e municípios que incidem sobre a Terra Yanomami.
Segundo o professor Pablo Albernaz, o objetivo do projeto “é construir, a partir do diálogo e da escuta ativa junto às comunidades, estratégias que considerem as necessidades e a visão dos próprios Yanomami sobre proteção, previdência e assistência social”.
Entre as etapas previstas estão o diagnóstico participativo com escuta das lideranças Yanomami, a elaboração conjunta de uma proposta de proteção social e a oferta de cursos de formação para agentes indígenas em colaboração com a Funai. O projeto ainda prevê o pagamento de bolsas para participantes Yanomami no processo de formação coletiva dos Agentes Indígenas de Proteção Social (AIPS). O curso de formação será ofertado pela UFRR em parceria com a FUNAI e a Fiocruz.
Ainda conforme os professores Pablo e Jefferson, esta foi a primeira vez que a UFRR esteve na região. “Estivemos na região do Maturacá. A presença da UFRR na assembleia foi vista pelos Yanomami como um momento de construção de parcerias e diálogos através de projetos voltados aos processos formativos e às políticas de proteção social. O diagnóstico de proteção social que iremos realizar é uma pesquisa pioneira, pois até hoje não se tem dados sobre esse tema”, revelam os dois representantes.
Durante a pauta de educação, professores e representantes Yanomami solicitaram auxílio da UFRR com a oferta de cursos de formação para os jovens como formação continuada para os professores, turismo de base comunitária, com foco na atuação como guias, tradutores e recepcionistas no Projeto Yaripo (de visitação ao Pico da Neblina). Além disso, o apoio da UFRR e FUNAI para capacitação em línguas como solicitação de cursos em português, inglês e espanhol voltados aos jovens para atuação em atividades de etnoturismo e de proteção territorial. “A AMYK destacou que as capacitações são importantes para que os Yanomami possam, no futuro, atuar também não apenas com o ecoturismo, mas na etnovivência, com aldeias Yanomami recebendo turistas não apenas para visitações ao Pico de Neblina, mas para conhecer a realidade e a vivência nas aldeias Yanomami”, explica Pablo.
UFRR é representada em comissão de avaliação da formação docente brasileira no INEP

Dois professores da Universidade Federal de Roraima foram escolhidos para compor a Comissão Assessora de Área de Avaliação da Formação Docente. Essa comissão é vinculada ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Os representantes da UFRR são os professores Marcus Vinícius da Silva e Marcelo Batista. A comissão tem como objetivo participar da definição de diretrizes, critérios e parâmetros de avaliação dos cursos de licenciatura em âmbito nacional. Os dois professores estão trabalhando nas comissões desde fevereiro e também vão contribuir para regulamentação de indicadores utilizados pelo INEP no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e na regulação da educação superior brasileira como um todo.
Segundo os professores, a participação reforça o compromisso da UFRR na busca de fortalecer a educação pública brasileira. “Fazer parte da comissão representa uma chance importante de contribuir com o fortalecimento das políticas públicas voltadas à formação de professores no Brasil. Levo comigo, como professor do Colégio de Aplicação da UFRR, a vivência de quem atua em um contexto amazônico, marcado por desafios sociais, geográficos e educacionais muito próprios. A presença da UFRR nesse espaço reafirma o valor do que produzimos na universidade pública da região Norte e nos permite ampliar o debate nacional sobre educação, trazendo para o centro da avaliação realidades muitas vezes esquecidas”, destaca o professor Vinícius.
O professor do departamento de Matemática, Marcelo Batista, também reafirma a satisfação de fazer parte da comissão e destaca o trabalho positivo dos cursos de licenciaturas da UFRR. “Na primeira reunião que tivemos na sede do INEP, em Brasília, ouvi da Coordenadora Geral de Avaliação das Licenciaturas, professora Ana Júlia Pedreira (UnB), que estávamos nessa Comissão pela representatividade do país e, também, porque os nossos cursos de Licenciaturas foram classificados como os melhores do país. É o reconhecimento do esforço do trabalho de todos os colegas professores do Departamento de Matemática que buscam incansavelmente formar professores com qualidade. Isso traz visibilidade para o curso de Licenciatura em Matemática e para a UFRR”, afirma.