Publicado em: 25 de junho de 2026
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Relatório de 2025 aponta avanços em teleatendimentos, diagnóstico remoto e capacitação de profissionais de saúde, com destaque para ações na Terra Indígena Yanomami e Ye’kwana

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O Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal de Roraima (NTS-UFRR) consolidou, em 2025, sua atuação como ferramenta de apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS) no estado, especialmente em regiões remotas e de difícil acesso. Ao longo do ano, as ações integradas de teleinterconsulta, teleconsultoria, telediagnóstico e tele-educação ampliaram o suporte às equipes de saúde e contribuíram para aproximar serviços especializados de populações que enfrentam barreiras geográficas para atendimento.

Criado em 2023, o Telessaúde UFRR integra as estratégias nacionais de saúde digital do Ministério da Saúde e atua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Roraima, Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) e secretarias municipais de saúde. Em 2025, grande parte das atividades esteve direcionada ao fortalecimento da Atenção Primária em territórios indígenas, com destaque para a Terra Indígena Yanomami e Ye’kwana.

Na área de teleinterconsulta, modalidade que permite a troca de informações entre profissionais de saúde para discussão de casos e definição de condutas clínicas, foram realizados 648 atendimentos em 26 especialidades, com a participação de 255 profissionais. Desse total, 98,6% ocorreram no DSEI Yanomami.

A utilização da ferramenta também apresentou impacto na redução da necessidade de deslocamentos de pacientes. Levantamento produzido por professores e bolsistas do núcleo, apresentado no XII Congresso Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde, apontou que as ações no território Yanomami e Ye’kwana evitaram mais de 30 remoções aéreas entre janeiro e novembro de 2025. A estimativa representa mais de 50 horas de voo evitadas e economia superior a R$ 300 mil em recursos públicos, sem considerar outros custos relacionados ao transporte, hospedagem e acompanhamento dos pacientes.

Outra frente de atuação foi a teleconsultoria, serviço que oferece apoio técnico e segunda opinião formativa para profissionais do SUS. Em 2025, foram registradas 192 solicitações, sendo que 79,7% foram respondidas em até 72 horas. A maior parte das demandas esteve relacionada à saúde indígena, seguida por temas ligados à pediatria e saúde da criança.

O telediagnóstico também avançou durante o período, com 634 exames realizados remotamente. Foram 371 exames de Tele-ECG e 263 tele-retinografias, ampliando a capacidade das equipes locais de realizar avaliações especializadas sem necessidade imediata de deslocamento dos pacientes.

Além dos atendimentos, o Núcleo coordenou a construção de protocolos clínicos e fluxos assistenciais voltados à realidade da saúde indígena. Os documentos, desenvolvidos em parceria com o DSEI Yanomami e Ye’kwana, abordam situações como síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), doenças diarreicas agudas e desnutrição, auxiliando profissionais na identificação de riscos e na definição de encaminhamentos.

Na área de formação profissional, o Telessaúde UFRR ampliou as atividades de tele-educação. Foram realizadas 20 capacitações presenciais e virtuais, alcançando 448 profissionais — aumento de 120,7% em relação ao ano anterior. Os cursos online tiveram 440 inscritos e 223 certificados emitidos.

Os conteúdos digitais também ampliaram o acesso à qualificação. Temas como oncocercose no território Yanomami, diagnóstico e tratamento da malária, acidentes ofídicos e infectologia somaram milhares de visualizações e contribuíram para a atualização permanente das equipes de saúde.