
A Universidade Federal de Roraima realizou, nos dias 20 e 21 de agosto, uma série de atividades dos projetos educacionais voltados às comunidades das etnias Ye’kwana e Sanoma, na Terra Indígena Yanomami. Representantes da instituição estiveram na região de Auaris, localizado no município de Amajari.
A programação reuniu pesquisadores, gestores públicos, extensionistas, lideranças indígenas, docentes, técnicos e parceiros. Na ocasião, foi realizada a cerimônia de conclusão das turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ao todo, 52 alunos indígenas Sanoma receberam o certificado de conclusão por meio do Colégio de Aplicação (CAp/UFRR).
Segundo a professora da UFRR e coordenadora do projeto de EJA na Terra Indígena Yanomami, Adriana Gomes Santos, a formatura representa uma etapa importante de um processo de formação que atende aos povos Yanomami e Sanoma. “Esse projeto é ofertado pela UFRR através do nosso Colégio de Aplicação e Instituto Insikiran, sendo o primeiro processo de formação com foco na educação básica. É um ensino fundamental articulado às questões de saúde, soberania alimentar, proteção do território, entre outros”, afirmou.
Além da entrega de certificados, os representantes da UFRR apresentaram, durante os dois dias, a proposta de cursos de formação técnica e especialização para os Ye’kwana, além de atividades produtivas desenvolvidas pelas comunidades e demonstrações de ações de gestão territorial implementadas na região.
Outra ação foi a entrega do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) de formação técnica para os Ye’kwana. Conforme a coordenadora e professora da UFRR, Adriana Santos, o curso será voltado à formação de Agentes Territoriais Indígenas. “Essa grade curricular vem a atender a uma necessidade que eles trazem de incluir os saberes tradicionais dentro do processo de escolarização. É, de fato, uma construção educacional que respeita a língua, cultura, pintura corporal e todos os aspectos da vida da comunidade”, revelou Adriana.
A programação educacional incluiu ainda a proposta de uma especialização voltada à formação de professores Ye’kwana para atuação no futuro curso de ensino médio técnico. As ações estão articuladas a outras iniciativas de soberania alimentar e às atividades produtivas desenvolvidas nas comunidades.
Durante a cerimônia, o vice-reitor da UFRR, Silvestre Lopes da Nóbrega, destacou que a programação representa um momento de aproximação, intercâmbio de conhecimentos e o acompanhamento das ações realizadas em parceria com as comunidades indígenas. “Buscamos ser universidade cada vez mais presente em todo o estado de Roraima e com isso desenvolvendo várias ações como essa na comunidade em terras indígenas Yanomami. Eles merecem toda atenção da instituição, viemos visitar esses projetos que são executados em conjunto pela UFRR, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Funai e MEC”, afirmou.
A antropóloga e coordenadora pedagógica de campo, Maria Auxiliadora Carvalho, analisou o trabalho de construção de conhecimento com os indígenas. “Alinhamos metodologicamente todas as áreas, seja alimentação, saúde. Partimos da perspectiva dos Sanoma para construir esse conhecimento, sendo assim não trabalhamos com sobreposição desse conhecimento. Essa cosmologia, jeito de pensar e viver tem que ser incorporado e funcionar como ponto de partida. Entender seus códigos culturais delineia nosso trabalho para que juntos possamos construir o conhecimento continuamente”, afirmou Maria.
O ministro da Educação (MEC), Leonardo Barchini, também esteve presente nas atividades e conheceu as ações envolvidas na terra indígena. “Extremamente positivo o que vi aqui. Viemos visitar um espaço do saber feito pela comunidade indígena num convênio realizado pela Funai, UFRR, MEC e UFMG. É todo mundo junto e unido para que possamos ouvir a comunidade e construir os equipamentos de acordo com o que eles precisam e necessitam para ter uma educação de qualidade. É fundamental que respeitemos os saberes locais”, analisou o ministro.