Publicado em: 18 de agosto de 2026
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O lançamento do manual ocorrerá na próxima quinta-feira (20), às 18h30 no Auditório do PPGSOF – Foto:
Divulgação/Abrinjor

O Curso de Jornalismo e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (PPGCOM/UFRR), em parceria com a Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), realizam, no dia 20 de agosto, o lançamento em Roraima do Poranga Marandúa: Manual de Redação do Jornalismo Indígena. O evento ocorre às 18h30, no Auditório do PPGSOF, no campus Paricarana da UFRR, em Boa Vista.

O nome Poranga Marandúa significa “boa notícia” em Nheengatu, língua pertencente à família Tupi-Guarani. A publicação busca fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na produção de suas próprias narrativas e oferecer referências para uma prática jornalística comprometida com seus territórios, direitos e diferentes formas de comunicação.

O manual também propõe orientações para profissionais e instituições que produzem conteúdos relacionados aos povos indígenas, contribuindo para uma cobertura jornalística mais ética e respeitosa e atenta às especificidades dos diferentes povos e territórios.

O lançamento em Roraima será um espaço de diálogo e reflexão sobre essas questões, aproximando universidade, profissionais da comunicação, estudantes, pesquisadores, comunicadores e representantes indígenas. A realização do evento no estado ganha especial relevância diante da diversidade dos povos indígenas presentes em Roraima e da importância de ampliar as discussões sobre representação, comunicação e produção de narrativas a partir das próprias comunidades.

Para o coordenador do Curso de Jornalismo da UFRR, Felipe Collar Berni, receber a iniciativa em Roraima representa um marco, especialmente por se tratar do estado brasileiro com o maior percentual de população indígena em relação ao total de habitantes.

“Enquanto universidade, esse lançamento também nos convida a repensar o próprio ensino do jornalismo. É uma oportunidade de qualificar a formação dos futuros profissionais para o exercício de um jornalismo capaz de compreender e apresentar as nuances dos povos indígenas de maneira ética, respeitosa e aliada às suas perspectivas e realidades”, afirma o professor.

“Não dá mais para errar”

Entre as participantes do lançamento está a jornalista Adriã Galvão, do povo Baré, mestra em Comunicação e egressa do Curso de Jornalismo da UFRR. Integrante da Coordenação de Iniciativas e Projetos da Abrinjor, Adriã destaca que o Poranga Marandúa foi pensado para circular muito além dos espaços ocupados por comunicadores indígenas e se tornar uma referência também para profissionais e instituições que trabalham com comunicação.

“Ele é mais do que um manual. É um documento que deve se tornar referência nas universidades, nas redações e nas repartições públicas e privadas que trabalham com comunicação, especialmente para quem atua diretamente com os povos indígenas. Não dá mais para errar. Estamos apresentando orientações para que esse trabalho seja realizado de maneira ética e respeitosa”, afirma Adriã.

Criada no final de 2023, a Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor) reúne jornalistas indígenas e estudantes de Jornalismo de diferentes regiões do país. A rede surgiu da necessidade de fortalecer a presença indígena nos espaços de formação e atuação profissional e de enfrentar o isolamento, o racismo e outras formas de violência ainda vivenciadas nas universidades, nas redações e em diferentes ambientes da comunicação.

O Poranga Marandúa integra esse esforço ao reunir referências voltadas tanto aos profissionais indígenas quanto a jornalistas, estudantes, instituições e demais agentes da comunicação que atuam na produção de conteúdos relacionados aos povos indígenas. A proposta é contribuir para práticas que reconheçam o protagonismo desses povos e respeitem suas identidades, seus territórios e suas próprias formas de produzir e compartilhar narrativas.