Publicado em: 28 de junho de 2026
Atualizado em: 26 de junho de 2026
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Nesta data importante conheça um pouco mais sobre a trajetória dos estudantes Luan Alex Medeiros Weyl e Aléxia Lucarlla de Souza Menezes

O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ é celebrado mundialmente no dia 28 de junho. Historicamente, a data marca a Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York, em 1969, quando a comunidade resistiu à repressão policial, tornando-se um símbolo global de luta por direitos, visibilidade e igualdade.

Como uma forma de relembrar as lutas da comunidade LGBTQIAPN+ dentro do contexto roraimense, a Universidade Federal de Roraima sediou a roda de conversa “Existir é Resistir: Relatos de Violência contra a Comunidade LGBTQIAPN+ em Roraima”. O evento aconteceu no dia 19 de junho, às 17h, no Centro de Convivência da UFRR, localizado no campus Paricarana.

Organizada pelo Diretório Central de Estudantes da UFRR (DCE), a roda de conversa teve o objetivo de fazer uma reflexão sobre os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+. O evento destacou a importância da promoção dos direitos humanos, da diversidade e do enfrentamento às violências.

A programação contou com convidados como o professor de História da Secretaria de Estado de Educação e Desporto de Roraima (SEED-RR), Tiago Nicolau, a enfermeira e coordenadora de Articulação e Mobilização da Associação de Travestis, Transexuis e Transgêneros do Estado de Roraima (ATERR), Rebecka Marinho, a historiadora, professora e militante da Unidade Popular e da Frente Negra Revolucionária, Letícia Barbosa e a defensora pública, Hannah Gurgel. 

Segundo os diretores de Diversidade Sexual e de Gênero do DCE/UFRR, Vívia Benício e Tyler Almeida, a intenção foi, sobretudo, promover um espaço seguro e acolhedor para o compartilhamento de experiências e reflexões sobre a temática. “Os convidados contribuíram para o debate a partir de suas trajetórias pessoais, compartilhando reflexões sobre os desafios e formas de resistência vivenciadas pela comunidade LGBTQIAPN+. Essas diferentes perspectivas apresentadas pelos convidados enriqueceram a discussão, promovendo um diálogo plural sobre violência e diversidade no contexto roraimense”, afirma a diretora Vívia Benício.

Os responsáveis pelo evento destacam que a atividade, no âmbito da UFRR, reforça o papel da universidade como espaço de produção de uma reflexão crítica e do compromisso de discutir temáticas sociais. “Debater questões relacionadas à violência contra a população LGBTQIAPN+ em um ambiente acadêmico é fundamental para fomentar a conscientização e o respeito à diversidade visando a defesa dos direitos humanos e a construção de uma sociedade mais inclusiva. A Universidade é, sem dúvidas, um dos locais mais importantes para se falar sobre essas pautas, já que pregamos a inclusão, a diversidade e o respeito ao próximo. Logo, precisamos que nossos futuros profissionais sejam conscientes e estejam cientes desses aspectos que rodeiam o nosso cotidiano e transformam a “simples” existência em resistência”, analisa o diretor do DCE/UFRR, Tyler Almeida.

Um dos convidados foi o professor Tiago Nicolau, que também destacou a importância de debater a temática. “Essa roda de conversa teve também o objetivo de discutir como podemos enfrentar essas violências e nos autoacolher como comunidade. Eu especificamente falei sobre a violência dentro do âmbito escolar e de como a escola ainda continua sendo um espaço reprodutor da LGBTfobia. É um assunto que precisa ser debatido, pois precisamos construir uma sociedade igualitária e que respeite as diferentes orientações sexuais”, destaca.

Em alusão ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a Universidade Federal de Roraima destaca as trajetórias de Luan Alex Medeiros Weyl, graduando em Medicina Veterinária, e Aléxia Lucarlla de Souza Menezes, estudante de Licenciatura em Educação do Campo. Companheiros, produtores culturais, artistas e militantes de movimentos sociais, ambos encontraram na Universidade um espaço de formação acadêmica, fortalecimento da identidade e construção coletiva.

Natural de Belém (PA), Luan Alex Medeiros Weyl chegou a Roraima após uma trajetória marcada por deslocamentos pelo País. Aos 35 anos, carrega experiências como artista de rua e afirma que a universidade ampliou sua visão sobre a diversidade brasileira.  “A UFRR representa uma oportunidade de muito aprendizado e conexão com diferentes culturas. Aqui circulam populações migrantes, povos indígenas e pessoas de todo o país. Depois desses quatro anos de vida universitária, posso dizer que conheço muito mais a cultura do Brasil e seus povos originários”, afirma.

Para Luan, o papel da universidade pública vai além da formação profissional. A instituição deve permanecer como um espaço de defesa dos Direitos Humanos, especialmente em momentos de ataques às políticas de inclusão. “A educação e a universidade pública têm o papel de nunca desistir ou desanimar, e seguir sendo um farol mesmo em tempos de obscurantismo. Isso acontece por meio de campanhas, projetos de ensino, pesquisa e extensão, além de ações afirmativas, como as cotas para pessoas trans”, revela.

Já Aléxia Lucarlla de Souza Menezes tem uma trajetória com a UFRR também a partir da militância. Integrante do Levante Popular da Juventude, foi por meio dos movimentos sociais e da indicação de uma amiga, que conheceu o curso de Licenciatura em Educação do Campo na UFRR. “Venho de um contexto ribeirinho e, quando conheci o curso, percebi que poderia me deslocar para estudar. Hoje moro em Boa Vista, tenho outras perspectivas e pretendo me formar este ano ou no início do ano que vem”, afirma.

Segundo Aléxia, a vida universitária proporcionou um espaço de encontro com pessoas que possuem trajetórias semelhantes à sua, o que fortaleceu sua liberdade de expressão, inclusive, por meio da arte e da estética. “É muito bom saber que existe um curso pensado para pessoas iguais a mim. Minha história se conecta com a universidade nesse sentido. Foi aqui que ganhei mais coragem para me expressar artisticamente, por meio da maquiagem, do cabelo e da minha forma de estar no mundo. A experiência universitária na UFRR contribuiu para que eu pudesse me expressar mais e viver minha identidade sem sofrer julgamentos por ser uma pessoa pansexual”, observa.

Ao falar sobre os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+, Luan destaca que a resistência faz parte do cotidiano. “Em diversos momentos a gente pensa em desistir. São muitas as barreiras impostas para nós, especialmente para pessoas trans. Então, ao invés de esperar, eu me movimento para que as pessoas percebam que o chamado ‘pânico moral’ é apenas uma cortina de fumaça que encobre problemas reais. A população LGBTQIAPN+ precisa de políticas públicas que combatam o preconceito de forma concreta, não apenas de discursos ou das cores da nossa bandeira”, analisa.

Embora reconheça avanços nas políticas de inclusão, Aléxia ressalta que o enfrentamento à LGBTQIAPN+fobia ainda exige atenção permanente. “Já passamos por momentos muito piores, principalmente em governos anteriores, mas precisamos continuar avaliando a situação de forma ampla e fortalecer políticas que combatam a homotransfobia e garantam respeito às nossas existências”, opina.

As trajetórias de Luan e Aléxia mostram que a universidade pública também é um espaço de pertencimento, diversidade e transformação social. No Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, as histórias dos dois estudantes reforçam a importância da educação como instrumento de inclusão, respeito e defesa dos Direitos Humanos.