
Em março de 1993, o potiguar José de Anchieta Alves de Albuquerque chegou a Roraima. Veio em busca de novas oportunidades e encontrou no estado mais que um sustento: o seu propósito de vida, ensinar.
Professor da Universidade desde 1993, foi um dos precursores do curso de Agronomia. Mas um dos aprendizados mais importantes de sua vida não veio dos livros nem da Academia. Começou quando nasceu sua primeira filha, Bianca Albuquerque, em 1996.
Naquele momento, ensinar passou a ter um significado ainda maior. Não bastava transmitir conhecimentos e experiências. Era preciso ensinar valores, princípios, permitir-se ser vulnerável e, principalmente, dar o exemplo.
Desde a infância, Bianca acompanhava o pai no trabalho. Ao atravessar o pórtico do Paricarana, imaginava-se não como visitante, mas como aluna. Desde muito cedo, alimentava o sonho de fazer Medicina.
Os pais sempre a deixaram livre para escolher a profissão que quisesse, mas Bianca já estava decidida: seria médica.
O pai lembra que ela fez vestibular para Medicina várias vezes. Sempre chegava perto, mas não conquistava a vaga. O professor José de Anchieta nunca teve condições de pagar um curso particular para a filha, embora tivesse vontade. Ainda assim, sempre acreditou na capacidade dela. Ele se emociona ao recordar a trajetória da filha. “Ela sempre foi muito dedicada, estudiosa e persistente. Quando eu falo desse momento da minha filha, eu me emociono, porque não foi fácil para a família e para ela. Ela é muito forte psicologicamente”.
Bianca lembra que algumas pessoas sugeriram que desistisse e escolhesse outra carreira. Mas os pais continuaram incentivando. Sempre que ela não passava, o pai chorava junto, dividindo as frustrações. “Meu pai sempre me motivou. Ele nunca me desestimulou. Ele dizia: ‘É isso que você quer, minha filha? Então siga em frente’. Quando eu não passava, ele chorava”, disse.
O dia da aprovação foi marcante. Ansioso, o professor acordou cedo, ligou a TV e esperou pelo resultado. A família e alguns amigos da Bianca assistiram juntos. Quando seu nome apareceu na lista e foi citado na TV, ele comemorou tanto que caiu na piscina, tomado pela emoção.
Até hoje, o professor guarda a gravação desse momento no celular. Ao falar sobre a conquista da filha, a voz embarga: “Essa menina é meu orgulho”.
Para Bianca, o sentimento é recíproco. “Eu estou trilhando o caminho que meu pai começou a construir, tanto dentro de casa, quanto dentro da Universidade. Para mim, é motivo de orgulho”, enfatizou.