
A Universidade Federal de Roraima (UFRR) recebe no dia 30 de abril a aula inaugural do primeiro programa de extensão da instituição que visa a formação de comunicadores indígenas Yanomami e Ye’kwana. A atividade ocorre às 18h no Salão Nobre da Reitoria, localizado no campus Paricarana.
A ocasião contará com a presença do líder Yanomami, escritor e membro da Academia Brasileira de Ciências, Davi Kopenawa. A aula será aberta para toda a comunidade acadêmica e ao público convidado devido à capacidade de lotação do espaço.
Conforme a organização do evento, o momento ocorrerá como uma espécie de acolhida universitária aos seis comunicadores que participarão da formação continuada. Os estudantes são de quatro regiões diferentes da Terra Indígena Yanomami, localizadas em Roraima e no Amazonas. São eles: Laura Yanomami (Missão Catrimani), Kátia Yanomami (Demini), Aida Yanomami (Demini), Edmar Yanomami (Demini), Jair Kedeniwa (Auaris) e Priscila Ximenes (Auaris).
Para o professor e coordenador do curso de Jornalismo da UFRR, Felipe Collar Berni, a construção dessa formação inédita reafirma o valor social da universidade, do jornalismo e da comunicação. “É muito valioso pensar essa confluência entre universidade e território. Essa parceria não é recente. Nosso curso chega aos 35 anos atento e aliado aos povos e comunidades originárias da Amazônia”, afirma.
Chamado de “A palavra que nasce na floresta”, o programa de extensão é resultado de uma parceria firmada entre o curso de Jornalismo, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Hutukara Associação Yanomami. O objetivo é fortalecer a autonomia comunicacional indígena respeitando a língua, costumes e modos de vida na floresta, além de articular os saberes acadêmicos e os conhecimentos produzidos dentro da terra indígena.
Como funcionará o programa de extensão?
Ao todo, o programa terá a duração de três anos, entre 2026 e 2028, dividido em seis módulos formativos, sendo dois por ano. A metodologia pensada considera o tempo cidade e o tempo floresta com comunicadores realizando períodos de estudos na universidade, além de aplicação e multiplicação de conhecimentos nas comunidades.
Conforme a coordenação do curso, o primeiro módulo se inicia no dia 27 de abril e seguirá até 22 de maio. O programa será facilitado por professores do curso de Comunicação Social/Jornalismo e do PPGCOM da UFRR, juntamente com discentes indígenas do curso de jornalismo que realizarão atividades como bolsistas.
Ainda segundo o professor e coordenador do curso de Comunicação Social/Jornalismo, Felipe Collar, a autonomia da comunicação foi uma demanda muito presente entre os indígenas Yanomami e Ye’kwana durante o processo de planejamento das atividades. “Autonomia para que tenham condições de construir e circular suas próprias narrativas. E isso é sintomático, pois revela, entre outras questões, que a mídia comercial não tem dado conta de produzir uma comunicação capaz de traduzir as cosmologias indígenas e permanece distante do compromisso de defender a floresta, o território e a diversidade de formas de experimentar o mundo”, aponta o professor.
Uma das estudantes que fará parte da primeira turma do programa será Kátia Yanomami, comunicadora da região do Demini. Para ela, a formação significa uma forma de defender seu povo. “Quero aprender a editar e fazer filmes para quando eu voltar na minha comunidade possa repassar meus conhecimentos para os colegas. Na cidade, eu quero aprender comunicação para defender a floresta e meu povo”, explica Kátia.