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Universidade Federal de Roraima
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Empreendedor! De quem estamos falando?

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Gelso Pedrosi Filho*

Historicamente, empreendedorismo tem pelo menos dois significados. Primeiramente, empreendedorismo se refere à propriedade e gerência de um negócio. Esta é a noção ocupacional de empreendedorismo. Dentro deste conceito, numa perspectiva dinâmica o foco é a criação de novos negócios, enquanto que numa perspectiva estática o foco é o número de proprietários de firmas. Em segundo lugar, empreendedorismo se refere ao comportamento empreendedor no sentido do aproveitamento de uma oportunidade econômica. Esta é a noção comportamental de empreendedorismo. Empreendedores no sentido comportamental não necessitam serem proprietários de negócios. Na encruzilhada do comportamento empreendedor e da perspectiva ocupacional de empreendedorismo, surgiu um novo foco que considera a criação de um novo negócio como a marca do empreendedorismo.

O empreendedor, portanto, “é alguém que se especializa em fazer decisões de juízo sobre a coordenação de recursos escassos”. O termo alguém enfatiza que o empreendedor é um indivíduo. O termo juízo enfatiza que a decisão não pode ser uma simples rotina de aplicação de regras padronizadas. A idéia de que a percepção de oportunidades é subjetiva, mas que as oportunidades são objetivas tem uma longa história na teoria do empreendedorismo. O termo "entrepreneurship” (empreendedorismo) deriva da palavra francesa "entrepreneur”, que significa empreendedor. O seu uso na acepção moderna foi introduzido pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em 1912 que descreveu o “entrepreneur” como a pessoa que destrói a ordem econômica através da introdução de novos produtos, novos métodos de produção, novas formas de organização ou novas matérias-primas. Na versão schumpeteriana, o empreendedor é, sobretudo, um “destruidor criativo”, um inovador. Todavia, não é explícito se esta inovação implica, ou não, a criação de uma nova organização. Talvez por isso, o significado do termo entrepreneurship – e, portanto, o seu objeto de estudo – não reúna consenso na comunidade científica.

Nos Estados Unidos o empreendedor é frequentemente definido como aquele que começa o seu próprio, novo e pequeno negócio. Mas o empreendedor deve ser mais que isso, afirma Drucker, ele deve criar algo novo, algo diferente, deve mudar ou transformar valores. Para este autor a inovação é o instrumento específico do empreendedor, o meio pelo qual ele explora a mudança como uma oportunidade para fazer algo diferente. Ele sempre está buscando a mudança, reage a ela, e a explora como sendo uma oportunidade.

Desta maneira fica evidenciado uma diferença entre o empresário – proprietário e gerente de um negócio, e o empreendedor schumpeteriano – aquele que explora uma oportunidade de negócio com um diferencial inovador. Assim, nem todo empresário é um empreendedor, como nem todo empreendedor precisa necessariamente ser um empresário. Nesta linha de raciocínio podemos distinguir ainda o empreendedorismo de oportunidade e o empreendedorismo de necessidade. Nem toda a atividade empreendedora é induzida pelo mesmo motivo. Empreendedorismo de oportunidade representa a natureza espontânea da participação e empreendedorismo de necessidade reflete uma percepção individual que tais ações representam a melhor opção de emprego disponível, sendo frequentemente induzidas por insatisfação no trabalho, demissão ou desemprego.

O empreendedorismo de oportunidade e o empreendedorismo de necessidade têm diferentes impactos sobre a inovação, competitividade e crescimento econômico. Estudos realizados ressaltam que só haverá desenvolvimento econômico em decorrência do surgimento de empreendedores de oportunidade, que promovam a destruição criativa do antigo, criando o novo – como quer Schumpeter.

* Professor e Coordenador do Núcleo de Estudos do Empreendedorismo, Inovação e Desenvolvimento Sustentável – NEEDS da UFRR.