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Universidade Federal de Roraima

Estratigrafia

A estratigrafia é o ramo da Geologia que trata do estudo de rochas estratigráficas e visa a descrição de todos os corpos rochosos que formam a crosta terrestre, além da sua organização em unidades mapeáveis distintas com base em suas propriedades, visando estabelecer sua distribuição e relação no espaço e sua sucessão no tempo, e principalmente para interpretar a história geológica.


Até o final do século XVIII, a ciência ainda era muito influenciada pela religião e havia a crença de que a Terra era jovem, com não mais do que 6.000 anos de história. Não só as estimativas de idade da Terra eram influenciadas pela Bíblia, mas também os fósseis eram interpretados com base nas escrituras. Nesse contexto, os fósseis eram reconhecidos como restos de animais que foram vitimados pelo grande dilúvio universal, configurando-se como "testemunhas-chave" do dilúvio.


Foi a partir de estudos de alguns cientistas que não se contentavam com essas explicações simplistas sobre os fósseis é que esse cenário começou a se modificar. Um dos primeiros cientistas a se opor à igreja em defesa da geologia foi o jovem médico dinamarquês chamado Niels Stenson, considerado o "pai da estratigrafia", mas conhecido pelo nome latinizado Nicolau Steno (1638-1686) que chegou a Florença, na Itália por convite do Grande Duque Ferdinando II (Fig. 1).
 


Figura 1: Nicolau Steno.

 

Naquela época pensava-se que os dentes de tubarão, chamados de glossopterae (línguas de pedra), encontrados ao longo da costa italiana, machados da idade da pedra e fósseis de belemnídeos, chamados cerauniae (cunhas de trovão) tinham caído do céu e, acreditava-se, que tinham matado pessoas na sua queda.


Com a chegada de Steno, as coisas começaram a mudar. Steno encontrou uma carcaça de um tubarão que tinha sido jogada na costa. A dissecação do animal levou Steno à correta conclusão de que glossopterae era antigos dentes de tubarão. Esta descoberta levou-o a mergulhar nas geociências para determinar como um sólido, como um dente de tubarão ou uma concha de molusco fóssil, poderia estar contido em outro sólido, como uma camada.


No final do século XVIII, depois de centenas de fósseis e suas correspondências com organismos modernos terem sido descritos e catalogados, a evidência de que eram remanescentes de criaturas vivas de outrora foi dominando. Assim, a Paleontologia, o estudo da história da vida antiga a partir do registro fossilífero, ganhou lugar ao lado da Geologia.


Em 1669 publicou sua dissertação "Um Sólido Natural Contido Dentro de um Sólido", no qual estabeleceu os três princípios que regem a organização de sequências sedimentares na natureza. São eles: Princípio da superposição de camadas, Princípio da horizontalidade original e Princípio da continuidade lateral.


Princípio da superposição de camadas


Em qualquer sucessão de estratos de rochas (que não tenha sofrido deformação), o estrato mais antigo posiciona-se mais abaixo, com os estratos sucessivamente mais jovens, posicionando-se acima (Fig. 2). Este princípio permite identificar a ordem de formação dos estratos, que é a base de toda interpretação histórica de rochas estratigráficas.
 



 

Figura 2: Princípio da superposição de camadas.

 

Princípio da horizontalidade original


Depósitos sedimentares se acumulam geralmente em camadas horizontais sob a influência da gravidade (Fig. 4).




Figura 3: Princípio da horizontalidade original (Foto mostrando camadas horizontais em sua posição original).
 

 

Princípio da continuidade lateral


Camadas sedimentares são contínuas, estendendo-se até as margens da bacia de deposição, ou afinando-se lateralmente (Fig. 5).


Figura 4: Princípio da continuidade lateral (Foto do Grand Canyon demonstrando com as camadas se continuam lateralmente).
 

Hoje a estratigrafia está dividida em três grandes categorias de unidade estratigráficas: unidade litoestratigráfica, unidade cronoestratigráfica e a unidade bioestratigráfica. As unidades litoestratigráficas correspondem a corpos de rochas de espessura e extensão variáveis para cada caso. Obedecem assim, uma ordem hierárquica iniciada pela formação, que pode ser dividida em membros, e a menor subdivisão reconhecida é a camada. Duas ou mais formações podem ser associadas para constituir um grupo. Se for necessário, distinguem-se, ainda, subgrupos e supergrupos.


Nas unidades cronoestratigráficas leva-se em consideração, fundamentalmente, os parâmetros geocronológicos. Consistem essas unidades em corpos de rocha de espessura e extensão variáveis de caso para caso, delimitados em relação a intervalos do tempo geológico bem definidos.
As unidades bioestratigráficas são definidas com base no conteúdo fossilífero, destacam-se a distribuição espacial de táxons, peculiaridades morfológicas ou abundância relativa de um determinado táxon, estágios de desenvolvimento evolutivo e presença de fósseis. Assim, só entram na sua constituição rochas sedimentares ou metassedimentares fossilíferas.


Bibliografia Consultada:
CARVALHO, I. S. Paleontologia: conceitos e métodos. CASSAB, R. C. T Objetivos e princípios. 3ª ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2010.
MENDES, J. C. Paleontologia Básica. Queiroz: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.
PRESS, F.; GR OTZINGER, J.; SIERVER, R.; JORDAN, T. H. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto Alegre: Bookam, 2006.
TEIXEIRA, W.; FAIRCHILD, T. R.; TOLEDO, M. C. M.; TAIOLI, F. Decifrando a Terra. 2ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.

Referências Eletrônicas:
http://www.ufrgs.br/paleodigital/, acessado 27 de novembro de 2012 às 20h.
http://fossilvivo.blogspot.com.br/2008/09/aula-1.html, acessado 27 de novembro de 2012 às 21h.

Referências eletrônica das figuras:
Figura 1: PRESS, F.; GR OTZINGER, J.; SIERVER, R.; JORDAN, T. H. Para entender a Terra. 4ª ed. Porto Alegre: Bookam, 2006.
Figura 2: http://www.ufrgs.br/paleodigital/, acessado 27 de novembro de 2012 às 20h.
Figura 3: http://arquivogeologico.blogspot.com.br/, acessado 27 de novembro de 2012 às 20h15min.
Figura 4: http://cdn.arstechnica.net/wp-content/uploads/2013/04/20070921161701-640x422.jpg, acessado 27 de novembro de 2012 às 20h20min.