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Universidade Federal de Roraima

História da Paleontologia

 

Antigamente os fósseis eram vistos como esculturas e brinquedos  deixados pela mão divina nas rochas da Terra, para que fossem encontrados pelos homens servindo de amostra do grande poder da criação, uma visão especialmente defendida na Idade Média, quando os jogos da natureza (lusus naturae) eram bastante populares. Acredita-se que os gregos foram os primeiros que vincularam explicitamente os fósseis às formas de vida pretérita. Aristóteles, o pai da teoria da criação espontânea da vida explicou os fósseis como sendo remanescentes de experimentos fracassados, forma de vida que a natureza teria gerado e que não teriam dado certo, ficando petrificado em solos e rochas.


A ideia aristotélica da geração espontânea, com sua vis plastica como a origem dos fósseis era uma concepção bastante divulgada na Europa, tendo influenciado de forma negativa o estudo e a interpretação de fósseis até meados do século XVIII. Com isso, inaugurou uma fase na paleontologia que se estendeu até meados do século XIX, a de interpretar o registro fossilífero em termos do Dilúvio descrito na Bíblia.


Leonardo da Vinci (1452-1519) também realizou observações paleontológicas em especial no campo da tafonomia. Observações de bivalves e peixes permitiram a Da Vinci a conclusão de que não se tratavam de restos de experimentos da natureza e que tais organismos não morreram em um dilúvio, mas devido a um outro tipo de evento.


No século XVII (1638-1686) o dinamarquês Steno mais conhecido pelo princípio da superposição das camadas, deu importante contribuição à paleontologia.


Georges Cuvier (1769-1832), o pai da paleontologia dos vertebrados, não aceitava a ideia de um único evento catastrófico para explicar a ocorrência de fósseis marinhos longe dos oceanos atuais. Mas foi com a teoria de Charles Darwin (1809-1882) que os fósseis ganharam maior importância por se tornarem as melhores testemunhas de que as espécies realmente evoluíram.


No entanto, apesar desta aparente descrença sobre a importância dos fósseis, desde o início do século XIX, fósseis eram usados para determinar a idade relativa dos depósitos sedimentares. Grupos de fósseis ocorrem no tempo geológico em uma ordem determinada que reflete a evolução da vida na terra. Fósseis mais antigos posicionam-se nos estratos mais inferiores. Um período geológico pode ser reconhecido pelo seu conteúdo fossilífero. Os fósseis sucedem-se no tempo em idades determinadas, assim os estratos contendo os mesmos tipos de fósseis podem ser correlacionados e sua idade pode ser inferida com base no conteúdo fossilífero.
 



Bibliografia Consultada:
CASSAB, R.C.T. Objetivos e Princípios. In: Carvalho, I.S. (ed). Paleontologia. Vol 1. Rio de Janeiro: Interciência, 2004.
CARVALHO, I. S. Paleontologia: conceitos e métodos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2010.
CARVALHO, I.S.; FERNANDES, A.C.S. Icnofósseis. In: Carvalho, I.S. (ed). Paleontologia. Vol 1. Rio de Janeiro: Interciência, 2004.
MENDES, J. C. Paleontologia Básica. Queiroz: Editora da Universidade de São Paulo, 1988.